Niterói
Niterói era uma cidade legal, pensava Paulo.
Gente educada, humilde...Típico de gente do interior, mesmo.
No primeiro mês, logo, arranjou um empreguinho de office-boy.
A grana era pouca, mas dava pra ajudar nas despesas do tio, que apesar de ser um velho cheio de dinheiro no rabo, exigia que eles ajudassem nas despesas e no trabalho da casa.
Como office, Paulo conheceu o Sr. Geraldo, um italiano que veio pra cá e abriu uma pizzaria, como qualquer outro italiano.
Sr. Geraldo todo mês recebia uns pacotes fechados com embalagem dourada, mas Paulo nunca soube o que era.
Toda vez que o recebia, o italiano safado abria um sorriso gigante, dava uns tapinhas na cabeça de Paulo e corria pra dentro de casa.
Até que um dia, na ida pra casa do Sr. Geraldo, Paulo resolveu parar no meio do caminho e abrir o envelope pra ver o que tinha dentro.
Na hora que o abriu, deu o mesmo sorriso que o italiano e correu pra trás duma moita que tinha na estrada.
Paulo tinha acabado de descobrir pq o italiano dava aquele sorriso tão grande!
Era uma playboy que ele levava nos últimos três meses e nem sequer imaginava!
Depois de abrir e dar uma conferida, Paulo fechava o envelope e colava com cuspe.
Além do italiano, ele conheceu também uma família de japoneses com nome engaçado, no meio da estrada.
Eram os Takonamoto.
Esses cultivavam arroz e não sabiam falar Português, direito.
Todos os dias, quando ia levar o jornal do Sr. Takonamoto, a sua mulher chegava com um bule e uma xícara para oferecer café.
Mas ele nunca aceitava.
Sei lá, achava nojenta a verruga que a velha tinha no nariz e parecia ressaltar quando ela dava aquele sorriso de bom-dia.
Esse casal tinha um filho que se chamava Irakoia San, o qual Paulo sempre achou ter um problema mental.
Mas essa parte é melhor não comentar. Paulo ainda pensava em aceitar aquela xícara de café, um dia.
Continua
[UPDATE]
Agora eu tenho um Fotolog também!
Vão lá:
http://www.fotolog.com/dan_ramoa





